About

Algumas dicas para uma boa impressão!

-Tela bem retocada, sem buracos surpresa...
-Rodo bem afiado, em bom estado, de preferência novo...
-Na passada do rodo deve-se prestar atenção na pressão, velocidade e inclinação ideais do mesmo...
-Berço bem limpo, às vezes um fiapo de malha "peida" na estampa, ainda mais se for retícula.
-Excesso de cola permanente no berço pode soltar-se na camiseta... Além de na hora de descolar a malha, pode deformá-la na puxada, distorcendo desenhos simétricos...
-Ausência ou escassez de cola faz com que o substrato descole do berço, comprometendo o registro e o repique...
-Tinta muito diluída tende à borrar... Pouco diluída além de exigir maior esforço e pressão, não infiltra devidamente no tecido.
-Morcetes bem fixados na "régua" ou "batente", e chavetas bem fixadas nos quadros não vão perder o registro...



No video quem vos escreve segue serigrafando o Se7e e o diabo à qu4tro! No áudio Mi próprio mundo de Klub 99 / Argentina














Silks da vida nosso de "serigrafeuta"

Serigrafando com o pé esquerdo!

Muitas vezes o serígrafo não obtém resultados satisfatórios em seus impressos por não dar atenção especial a todas as etapas do complexo processo serigráfico. Deixando de fazer corretamente algumas ou até mesmo todas as partes deste processo somamos deficiências que no final resultam num total material de segunda linha; e inocentemente acabamos desvalorizando e auto menosprezando com toda a profissão. Na satírica crônica a seguir tento com um pouco de um descontraído humor narrar a trajetória de um "serigrafeuta" que apesar de trabalhar a mais de uma década na área ainda não aprendeu quase nada sobre o ofício. E se por acaso você identificou-se com o nosso amigo em mais de 3 ou 4 trechos, disfarçadamente assobie e mude de assunto, afinal de contas quem nunca pecou que atire a primeira lata de tinta...

No "birô": 
Começamos pelo projeto do que será estampado... Colocamos pra desenvolver o desenho uma pessoa com pouco conhecimento mesmo sobre design... Que arduamente caiu de paraquedas na profissão, aprendeu a fuçar no Corel e tem um mal gosto invejável.
É selecionada uma imagem da net com baixa resolução, 72 dpi, não é necessário reamostrar, retocar, melhorar nem equalizar a imagem... O pixelado serrilhado é ignorado...
Colocamos um título com uma fonte bem bonita e enfeitada ou então misturamos várias fontes diferentes, uma pra cada linha das frases, isso valoriza o layout... Podemos também posicionar o texto de modo que cubra alguma imperfeição do desenho que ficamos com preguiça de arrumar. As cores escolhidas não precisam de harmonia não, é só não usar rosa pra homem nem azul pra mulher... Pra facilitar vamos usar o preto básico que combina com tudo.
Xí! Esquecemos de salvar o documento e o PC travou, reiniciamos a máquina e começamos tudo de novo com um pouco mais de pressa e menos de calma...

Depois que o documento está com o corpo fechado:
Finalizado o moderno e popular desenvolvimento digital é a hora da impressão... Fotolito? Estabilidade do filme? Positivo? Que nada véi! Isso é só nome bonito que a gente fala pra iludir o cliente e justificar o valor cobrado... A impressora jato de tinta dá conta do recado.. O trabalho é pouco detalhado mesmo, por mais que as retas fiquem um pouco tortas não dá pra perceber de longe depois de pronto... Também podemos tirar um xerocão pra ampliar o bagulho, passamos um óleo de soja ou uma margarina no sulfite e pronto... Pouco opaca, porém está pronta a enf 'arte final.

No laboratório do doutor Frankeinstein:
O quadro já está previamente preparado e é formado por quatro ripas de pinus bem pregadas, com "voal" esticado à unha, um pouco frouxo confesso, mas bem grampeado... Dá pra usar tachinhas também...
Emulsão na verdade é uma tolice que apenas enriqueçe os mercenários fabricantes exploradores, cola de papel pigmentada... Bicromatão e está bem resumido aí o segredo industrial... Aí é só passar no "nylon" com uma boa régua, que por sinal está serrilhada e com a ponta quebrada. O excesso a gente tira com o dedão e o limpa na borda do becker que na verdade é uma garrafa pet cortada.
Deixamos secando no banheiro/estufa... Na janelinha o papelão colado pra escurecer o local tem a dupla finalidade de também poder segurar no recinto um desagradável aroma que vinha do trono de cerâmica sem tampa.
Depois de seca a "matriz" (já ousamos chamar isso por esse belo título), Colocamos na mesa de revelação com uma pilha modesta de revistas Playboy usadas por cima... Entre o vidro e a tela está a gordurosa arte final... Com todos os seus lipídios, glicídios, protidios, cálcio, ferro, fósforo e vitamina A...
O tempo de exposição "vareia"... Antes tínhamos sob a improvisada mesa 5 lâmpadas de 150 watts, mas umas queimaram e trocamos, colocamos uma de 60 watts e outra de 100 watts, só que de 220 volts!!! Entendeu? Nem eu! A precisão bem certinha do tempo é estipulada da seguinte maneira! Ligo a bagaça e vou fumar um cigarro! Chegou na bituca, pode retirar da mesa que é batata! É só colocar a tela em baixo da blusa e correr pro tanque na sala dos fundos... Passa pelo impressor, tira um sarro do seu "cofrinho" que está aparecendo, tropeça num pote de tinta que o "auxiliar de ajudante" esqueceu devidamente posicionado no meio do caminho; e chegamos no setor avançado onde revelamos o desenho finalmente, a torneira da água que vem direto da rua...
A parte onde a "emulsão" desmanchou retocamos depois com um pincelzinho e a parte que não abriu furamos com uma agulhazinha, véu sai esfregando com cuspe... Depois de no sol exposta seca está a tela, pra catalizar a Cascola© (merchandising free) fluída sobre o voal, banhamos tudo numa solução de bicromato, água e vinagre... Ufa! Esta pronta nossa tela!

O momento mágico da estampagem:
No berço "escorrido" fazemos o registro com dois preguinhos na beirada do quadro, só temos que tomar cuidado pra não encostar o preguinho nas camisetas que vamos estampar pra não sujá-las de ferrugem...
Preparamos a tinta preta misturando um azul marinho antigo que jazia no fundo da prateleira com o bordô que sobrou do serviço anterior, pra acertar a tonalidade um vidrinho de pigmento preto para tinta látex de parede... E pensar que colorista estuda um monte e não conhece esses segredos que só se aprende na faculdade da vida! Muita água pra aumentar o rendimento, amaciante de roupas se quiser diminuir o take ou se ocasionalmente a tinta estiver muito fedida...
O rodo que usaremos preferencialmente tem que estar meio afiado... Para isso raspamos ele em uma parede  ou em uma calçada de cimento bruto.
Agora é só por a tinta na tela, aumentar o som e mandar ver!

Embalando e entregando o produto:
Selecionamos as camisetas melhor estampadas e colocamos por cima do monte, as piores (borradas, falhadas...) colocamos por baixo dobradas de modo que não apareça a estampa, no meio colocamos as que saíram tortas ou foram retocadas no pincel. Se alguma infelizmente ficou tão feia que que não dá pra salvar, damos um fim nela desovando-a no terreno baldio atrás da firma, se acaso o cliente quiser conferir o número de peças teimamos que ele contou errado. Se não der pra ganhar no blefe ou no grito propomos um desconto viável para as duas partes no valor final do serviço... Se ele não voltar ou ligar reclamando em uns dois dias podemos ficar finalmente tranquilos...



 Só para ilustrar o postagem...

Um pouco sobre as tintas para seleção...

Um pouco sobre as tintas para seleção.

As tintas para policromia, sejam elas das marcas que forem... Dos tipos que forem... Base água, plastisol, UV, vinílica, etc e tal... E das cores que forem (pra quem ainda não sabe as primárias ciano, magenta e amarelo + o preto).Tem como coincidência uma importante propriedade comum... São translúcidas (transparentes) e portanto são indicadas para impressões em bases brancas.
Uma experiência simples e usual onde podemos observar essa propriedade é o uso de repique nestas tintas translúcidas (tecnicamente chamadas com o termo Clear, limpo em inglês)... Estampa-se uma imagem chapada em ciano... Em outra peça imprime a mesma composição com repique e numa terceira com dois repiques... Cada peça fica então com uma tonalidade diferente, quanto mais repiques mais forte e escuro fica a intensidade do tom. Fato este que não ocorre com as tintas Mix, pois estas são opacas.
A função desta propriedade translúcida da tinta para policromia é o fato de que para criar as cores secundárias e terciárias tem que se misturar as tonalidades primárias nas devidas proporções, o uso das tintas transparentes é o nosso recurso então para tal feito. Um chapado de 100% magenta tem que ser translúcido pra que possamos em parte ver um outro de 100% amarelo em baixo deste, formando o vermelho...

A sequência das cores à serem estampadas é normalmente fixa, seguindo a lógica padrão serigráfica de que as cores mais claras são aplicadas anteriormente às mais escuras... Ficando no modo mais usual o YCMK...Abreviação do inglês Yellow, Cyan, Magenta & Black... As cores primárias amarelo, ciano (um tom azul claro) , magenta (algo entre o vermelho e o rosa) e por último o preto ...
Esta lógica não é fixa, porém é tão usual por basear-se no fato de que na maioria das separações o amarelo, no caso nosso pioneiro tom estampado, é sempre predominante no tamanho da área impressa... O ciano e o magenta que são as cores com mais contraste e destaque na base branca são então incluídas... E por último o igualmente importante preto, que nos dará o contraste nas sombras e reforçará os detalhes principalmente de contorno e profundidade na imagem. Apesar de que as cores primárias igualmente misturadas entre si já geram um tom preto, esta última tela nos enriquece notavelmente o resultado final, mesmo em policromias feitas com fundo invertido...
A alteração dessa sequência mudaria um pouco o resultado final com certeza... E pode ser feita experimentalmente em qualquer composição. Para definir se inverteremos a ordem das cores veremos que tudo depende do desenho que será estampado, este deve ser bastante analisado pelo serígrafo que definirá com sabedoria a sequência mais viável levando em conta a área de cada um dos quatro tons... e também a predominância cromática destes... Podendo assim realçar um determinado tom colocando ele por último, ou mesmo dando um repique em certo tom... Sempre o que dita a regra é a singularidade que cada desenho tem como diferencial, depende então da análise da composição do desenho...

Se for estampada a quadricromia utilizando a técnica molhado sobre molhado devemos pensar na hipótese de imprimir as cores com menos área primeiro...

Outra propriedade diferencial das tintas para seleção é que elas são notavelmente menos viscosas, isso para poderem ser utilizadas com telas de menor número de fios, primando pela qualidade de definição de imagem... Pois podem transpassar os finos pontos na matriz que formam a imagem sem muito esforço...
Sempre vem prontas para o uso, porém as tintas voláteis, devem ser diluídas em solvente próprio quando necessário, de modo à manter sua viscosidade ideal para manuseio e aplicação.



No destaque a estampa de um desenho do signo de peixes em um estilo tattoo oriental new school...
Uma policromia feita com 45 lpi, gravada em matriz 77 fios e estampada com tintas base água, usando a técnica molhado sobre molhado...
No substrato branco estampei separadamente as cores isoladas e ao centro toda a composição... Enquadrei o tecido e o exponho entre outros na parede de meu pequeno atelier para demonstrar ao pessoal um pouco sobre a técnica da policromia.
Quem quiser baixá-lo segue o link... Formato .cdr, versão 11, 1630 kb...

Restos fósseis!

Na serigrafia temos uma infinidade de possibilidades e com elas podemos simular uns acabamentos peculiares...
Pra estampar esse fóssil apelei para um efeito de textura irregular e falhada, sem seguir padrão algum acabou lembrando satisfatóriamente o que um arqueólogo pensaria ser o resto fossilizado de um T-rex (um arqueólogo bem bêbado)!

O modo técnico de fazer foi praticamente igual ao efeito reboco, anteriormente já demonstrado e explicado aqui no Yarru! Apenas substitui o plastisol por seu primo neandertal, o relevo Puff!






Na prática:
-Matriz 77 fios, emulsão base água diazo.
-Pasta puff pigmentada aplicada em substrato semi rígido (moletom)
-Primeiro repique com cura intermediaria, segundo com cura total, terceiro e quarto com displicente excesso de tinta e termo expansão.
-Cura com soprador térmico.
-Sem fora de contato, já que a intenção é que a tinta recém aplicada cole na tela e distorça o acabamento mesmo...
 
E pra quem acha que serigrafia é lembrança jurássica e que o serígrafo têxtil é espécie em extinção lhe apresento então o fóssil dela...



Toque Zero?

Já é sabido que hoje em dia o alto relevo em substratos têxteis está contraditoriamente "meio em baixa". Grande parte dos estilistas em atividade, assim com as principais marcas em destaque, que detém maior participação no mercado e notoriamente são as "formadoras de opinião", tem claramente se posicionado a favor de uma linha de roupas com caimento mais leve.
Este caimento inicia na escolha de um tecido com matéria prima suave, seja ela natural (Decamilenares algodão e linho... Recentes fibras naturais de bambu...) ou sintética (Poliéster, viscolycra... E até com a sustentabilidade dos reciclados de pet...).
A justificativa comum da atual tendência leve muito se deve a prioridade em manter o conforto nas peças básicas, consonante e coerente ao tecido.
Então pra finalizar a estampa adicionada à roupa está caracterizada com o toque mais suave das tintas Clear, Toque Zero, Corrosão... Ou mesmo Mix com apenas uma batida, sem repique, com um aspecto intencionalmente falhado acreditem...
Isso tudo nos faz assim pensar em como diminuir o toque da estampa, pelo menos no resumido segmento serigráfico têxtil atual.

Qualquer serígrafo ou empresário do ramo da confecção pode notar que tem, assim como eu, uma mania incontrolável de prestar uma atenção bem especial nas estampas das roupas nas lojas, ou das pessoas que andam pelas ruas... Sou confesso portador deste “T.O.C.”, tanto é que minha esposa quando me flagra olhando pro busto de uma senhorita, já nem enciumada fica, minha justificativa foi sempre que estou prestando atenção nos ínfimos detalhes da estampa de sua roupa... Inclusive pro colega que aí lê o texto deixo a dica pra evitar algum aborrecimento com o cônjuge, alegue (sem sarcasmo) que achou a blusinha linda e estava pensando em comprar uma pra ela...

Bem, nestas observações reparamos que as estampas estão bem maiores, principalmente nas camisetas. Portanto se as carregarmos muito com tinta, criamos uma grossa camada, impermeabilizamos o tecido e retemos a transpiração, algo desagradável para o uso cotidiano. Este e outros motivos diretamente ligados ao conforto na vestimenta implicaram na preferência hoje do toque macio.
Na prática um grande vilão no pesado toque é a base branca excessiva, então comecemos minimizando sua cobertura ou até mesmo a subtraindo...

O depósito diminuído de tinta pode ser adquirido evitando o repique de tintas super cobertura (já vi por vezes camisetas de boas marcas com essa aparência falhada, o que pra nós serígrafos é uma contradição estética pode ornar com o conjunto da composição)
Outro recurso que dispomos é o uso de tintas “Toque zero” ou “Super Macia”, apropriadas para formarem uma boa cobertura sem endurecer muito o toque da estampa. Porém as tintas não fazem por si sós seus milagres, uma prensada posterior ou o uso de estufa acelera o efeito e o torna mais eficaz.
O uso de tecidos técnicos mais finos, entre 77 e 100 fios auxiliam no fato de criarem uma película mais sutil da camada de tinta...
Fundo com corrosão pode ser usado. Esta é uma tinta que antigamente incomodava por ter odor bastante desagradável, hoje seu manuseio é mais simples e sua variedade ampla... Plastisol, cura em estufa, ao ar... E o mais importante, sem cheiro. É um reagente que descolore o pigmento do tecido, subjetivamente comparo a uma mancha de água sanitária/cloro, só que da cor que você escolher... Portanto devem ser aplicadas sobre tecidos tingidos com corantes reativos.
A eliminação do fundo tem também papel considerável na nossa lista de opções. Policromia sem fundo em tecidos de tonalidades suaves, cru, nude... São tolerantemente aceitos por muitas marcas mesmo se perdem um pouco da fidelidade cromática original da composição...
Outro coringa é a popularização de softwares gráficos e plugins de separações índex e simuladas, que nos permite estampar em tecidos escuros sem o uso de fundo, É uma recente (nem tanto) técnica que não devemos ter receio em iniciar. Um pouco de pesquisa, estudo e treino sobre essas atualidades são essências para a evolução técnica e profissional. Baseado em minha opinião individual, afirmo que aprender a fazer uma estampa simulada é apenas tão desafiador quanto foi quando aprendemos a fazer uma estampa chapada.

Resumidamente, dando um toque sobre o Zero Toque:
-Escolha de tinta macia, de baixa viscosidade
-Matriz com tecido técnico mais refinado.
-Eliminando o fundo e o repique elimina-se bastante o toque.
-Uso de traços e ou pontos menores na composição do desenho.

Outros efeitos de toque macio:
Stoned, Falsa corrosão, Acid Print, Devorê, Migrante, Tye Dye, Sublimação...

Porém, meu caro amigo serígrafo têxtil, mesmo sabendo que no atual momento "relevante não é tanto mais o relevo", não jogue fora seus potes de plastisol 3D nem de puff, apenas separe-os para a lateral da prateleira sabendo que aqui, lá ou acolá, o que fez ontem ou fará amanhã uma estampa bonita é a diversidade de técnicas que estamos aptos à aplicar nela.
O versátil silkscreen internacional não se resume jamais em apenas ornamentar camisetas, o domínio de vários modos de imprimir serigraficamente assim como a escolha deles para cada uso em particular é o que quebra a nossa rotina diária de "reles" puxadores de rodo.

Curta a FanPage Yarrru! no Facebook

Hoje eu estava estampando chapado!

Mas não se trata do que estão imaginando, e sim do corriqueiro processo de impressão das "adictas" Cores Sólidas, imagino que chamadas de chapadas por derivarem  a palavra "chapa", a matriz da impressão offset.
Concordo que é realmente algo bem simples e corriqueiro e não precisaria de muita explicação, porém apesar da simplicidade evidente, podemos tomar alguns cuidados que farão com que a estampa fique sem alguns defeitos bastante comuns...

O repique é usado tanto quanto for necessário para dar a cobertura e toque desejado resultante, pois chapado que se preze tem que estar devidamente uniforme.
Para que os traços fiquem bem distintos é preciso evitar a serrilha na matriz, isto é, quando o acabamento não possui definição suficiente nos contornos, que ficam em "zig-zag" ao invés de retos. Resumidamente evitaremos usando tecido com contagem suficiente de fios, arte final de boa resolução em mídia estável, camada de emulsão suficiente, emulsão de qualidade exposta à fonte de luz no tempo correto e revelada sem forçar com o jato dágua...

Outro fator negativo que compromete a estética final da composição são os famosos filetes brancos onde o registro deu uma "folgadinha"... O recurso mais eficaz para evitarmos isso é o uso do Trapping (sobreposição das bordas) é usado geralmente nas cores inferiores, ou seja , as que vão estampadas antes, por baixo da cor predominante... E feito via software, engrossando o contorno das cores selecionadas. E do Overprint que é a sobreposição da cor escolhida sobre todas as outras cores, por exemplo, um retângulo vermelho chapado em baixo de um texto azul sem utilização de parte vazada. Desta maneira não tem como fugir o registro...
Vazado é o termo utilizado pra descrever a parte onde fica sem acréscimo de tinta.

  Desenho chapado com utilização de Trapping nas cores: Vermelho, roxo, branco e verde musgo. Detalhe de "mega retículas" em verde claro e branco.... E contorno em preto (pois as camisetas estampadas eram de diversas cores).
Não foi usado fundo branco, todas as tintas são supercobertura diretas sobre o tecido que reduziram o toque e evitaram o contratempo das indesejáveis "bolinhas brancas", exceto o preto que era Clear...
O verde claro (efeito simulador de imagem com retículas de pontos Ben-day) foi estampado sobre o verde musgo com uso de Overprint, evitando fuga de registro...
Todas as cores foram estampadas com uso de cura intermediária entre camadas.


A imagem originalmente foi criada pelo artista da Pop art Roy Lichtenstein, e é bastante famosa... O que fiz foi dar uma "zombieficada" personalizada na mulher, colocando umas cicatrizes, sangue e hematoma, e alterando as cores originais por umas mais fúnebres...

Quanto cobro?


A grande maioria dos serígrafos sabe estampar, sabe misturar tons, sabe a diferença entre um produto bom e um ruim só de olhar de longe... Mas não sabe negociar valores! Nem com um cliente pechincheiro sobre a amplitude na hora de executar um serviço... Nem com o patrão sobre um digno/justo salário que coincida com a realidade do dia à dia de um profissional de nível técnico...
O profissional que sabe cobrar tem que obviamente possuir visão empresarial, as vezes é o cara que nem põe a mão na massa o que melhor negocia, aprecia distante o trabalho corriqueiro do serígrafo presenciando a real singularidade em criar estampas.
Afirmo sobre o fato de não haver real consciência de valores em nosso ramo também por experiência própria... Depois de muito tentar e errar e tentar e quase desistir e... Aprendi a fazer umas impressões decentes com serigrafia, boa oportunidade de me divertir estampando (pois realmente acho muito legal esse processo técnico artesanal) e ganhar uma renda extra que complementaria o já garantido mensal do assalariado esforçado.
Montei animado uma estrutura pequena iniciando a pouco ousada empreitada... Foi quando levei um verdadeiro tapa ofensivo na cara de uma pessoa que me conhece bem, não conhece nada de silk mas que enxergou de longe o óbvio que de perto eu ainda não via.
O tapa foi a breve frase afirmativa: -Agora você tem que aprender à cobrar!
Pois é, nisso realmente a gente tem que parar e pensar seriamente, de nada adianta saber fazer a coisa muito bem feita, mas não saber dar o justo e coerente valor pra isso...
E pensando sobre os valores que devemos cobrar, não dá pra dizer assim de pronto quanto é que custa pra executarmos um serviço de serigrafia mesmo se tivermos uma boa planilha para basearmo-nos... O preço no nosso ramo é verdadeiramente confuso, varia de uma região à outra, se é uma empresa com despesas fixas de aluguel, água, luz, funcionários, impostos, pró-labore... Vai obviamente cobrar essa hora máquina embutida no valor, ao contrário de um carinha que faz como complemento de renda e o que entrar à mais é lucro... Assim vê-se que tem gente que cobra 10 por um serviço e tem lucro, outro cobra 20 pelo mesmo e sai no prejuizo... Por isso todos sabemos que é preciso saber administrar corretamente o dinheiro que deve entrar e sair da empresa.

Preço cada um tem o seu assim como seu modo de calcular. Mesmo pensando assim eu vou deixar minhas opiniões sobre isso:

Faça seu preço sem se importar com o da concorrência, o bar do Portuga não vai conseguir competir com o Mc Donalds e nem vai oferecer o mesmo serviço, portanto não há como cobrar o mesmo valor mesmo que seja pra vender a mesma coisa. Se o cara que fala: - Mas lá o preço é tanto! Diga: Mas lá não tem um cara igual eu pra te atender! Brincadeiras à parte a diferênça terá que ser mostrada sobre a capacidade produtiva, capacitação do profissional que executará o impresso, o resultado final satisfatório e a garantia.
Se o seu valor está 1 centavo acima do valor do "concorrente" à ponto do cliente querer negociar contigo, só que se esse 1 centavo é o que definirá o seu lucro, então não ceda. E se perder o serviço por causa do valor não se preocupe, não vale a pena aceitar um preço economicamente inviável só para não ficar parado... Se depender da bondade de alguns clientes, você faz o serviço, entrega de graça e dá mais 10zão pra ele tomar uma cerveja...

Pra justificar o custo diferenciado mostre seu diferencial... A qualidade da matéria prima usada, o resultado superior, o atendimento melhor... Só não fique falando mal do seu "concorrente" mesmo achando que ele mereça, isso é um hábito horrível de pessoas com pensamento pequeno. É melhor mostrar quem é quem com atitudes e não apenas com palavras.

Se está na dúvida de quanto deve cobrar, isto é, completamente sem base, uma dica rápida que poderia dar é que some o valor do material que usará para executar o trabalho e suas despesas fixas ao $$$ equivalente ao seu tempo de serviço pra fazê-lo! (Faça um recibo e dê ao cliente, anote o valor pra sua contabilidade de final de mês... Download de exemplo de recibo para silk exemplo de controle entrada/saída)

Na serigrafia formulamos o preço geralmente analisando o tamanho da estampa, número de cores, quantidade de peças, dificuldade em aplicação... Além do custo de material necessário na execução da estampagem, baseando-se nessa preliminar existia uma unanimidade popular antiga em estipular o valor do serviço serigráfico aqui no Brasil...  Tantos $ da tela, tantos $ da arte mais X centavos por estampa... Tá, e o resto? E a despesa operacional da firma? E o sanduba do carinha que puxa o rodo? Será que esse perfil de cobrança não é coisa do milênio passado? O país mudou a situação do brasileiro idem, o padrão de vida do povo subiu e a emergente economia se refletiu no campo serigráfico evoluído também, quem não acompanhou se lascou e perdeu o sanduiche!
E esta coisa acho errado e não a faço, justificar ao cliente: Vou te cobrar X de seis telas mais Y dos fotolitos e mais "tantos" centavos por estampa...
Isso é só pra perder tempo, me desculpe a franqueza aos muitos companheiros que tem esse hábito, podemos até calcular baseados nessa lógica, mas o cliente basicamente quer o desenho estampado na peça, não quer saber se você vai usar uma ou dez telas, ou se vai usar a técnica que for... Portanto poupe-o da maior parte dos detalhes técnicos... Agora, se ele der a brecha querendo ao máximo essas informações é outra coisa.

Bem, concordo com vocês que acabei o texto sem definir qual é o valor que tem que ser cobrado no serviço serigráfico, sei que criei mais dúvidas e espaço pra críticas do que certezas...  E torço para que estas dúvidas sirvam pra lhe ajudar à auto analisar o seu valor no seu serviço serigráfico.
Boas estampadas!

Top Five da Videoteca serigráfica:
Realidade 1- Curtindo a vida adoidado.
Pensamento do autônomo ripôngo: -Dinheiro não é tudo na vida, frase batida obviamente, mas se for pra ganhar só 1000 reais por mês... Que seja trabalhando só um dia por semana!

Realidade 2- O poderoso chefão.
Deixe que os outros façam força por você e fique só administrando, pois quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro. Essa é do inescrupuloso porém bem sucedido mercador.

Realidade 3, A dama e o vagabundo
Na relação entre a patroa e o funcionário despretenciosos ele filosofa: -Eu fingo que trabalho e ela finge que me paga! E ambos concordam: -Tá ruim mas podia tá pior!

Realidade 4, O pagador de promessas. 
Crendo que Deus ajuda quem cedo madruga mecânicamente "reflete": Sobrando pro cigarro não tá, mas  assim economizo pulmão e mantenho a forma suando a camisa trabalhando.

Realidade 5, Planeta dos macacos.
Ao invés de pensar -O quê é que eu estou fazendo aqui? Ele pensa: Palestras e pesquisas sobre o ramo fora do expediente de  serviço não vão aumentar o meu salário? Quem tem que se aperfeiçoar não sou eu!

A Cura para todas as tintas...

A maior parte das tintas vem prontas para o uso na forma de pasta, umas com mais e outras menos grau de viscosidade... Diluídas devidamente, depois de aplicadas demoram um certo período para secar e este tempo depende de muitas variáveis da composição, como: Diluição, tipo de tinta, volatilidade (evaporação do diluente)... E depende também de fatores ambientais ou externos como:  Umidade relativa do ar (+úmido = +tempo), temperatura(+°C = -tempo)... A circulação de um vento à mais já faz a diferença e acelera a secagem...

Para cada substrato temos uma tinta diferente que deve ser estampada, cada uma tem as suas propriedades específicas para tal fim... Resistência à lavagem, à intempéries, atrito, elasticidade, etc... E cada tipo diferente de tinta tem o seu solvente específico, onde a carga sólida vem diluída para propiciar seu manuseio e aplicação.

Base Solvente (Vinílicas e sintéticas):
Estas tintas são dispostas diluídas em solvente químico de origem mineral com rápida volatização, portanto devem ser acondicionadas em embalagens bem vedadas afim de evitar a evaporação. Após estampadas secam naturalmente, ou seja tem a cura ao ar, fixam no substrato logo que a parte líquida evapore.
O solvente é inflamável, tem odor forte e é nocivo as vias respiratórias, portanto obrigatoriamente o ambiente de trabalho tem que ser devidamente arejado, com renovação de ar, além da utilização e EPI's (equipamento de proteção individual) como luvas e máscara.
O aplicador deve prestar atenção pois esta tinta pode secar na matriz e entupíla, na diluição pode ser adicionado solvente indicado pelo fabricante ou retardador vinílico... Além de aditivos fosqueantes, etc...
A cura ao toque se dá em minutos, podendo ser aplicada uma outra cor sobreposta, mas ainda não permitindo empilhar o material estampado, a cura total da tinta vinílica/base solvente é de cerca de 24 horas, dependendo das condições climáticas, podendo ser acelerada em estufa (se o substrato tiver estabilidade).
A limpeza da tela/rodo/espátula deve ser feita com solvente mineral Thinner ou Aguarrás. (guia Yarrru! estampando com vinílica)
 
Base Água:
O solvente que mantém esta tinta fluida é o H2O, tem a evaporação normal assim como as vinílicas, ou seja, após estampada tem cura ao ar.
Para serem estampadas várias cores utilizando o método "molhado sobre molhado" ou com pré cura intermediária.
Para estamparmos repiques (várias camadas de tinta, demãos...) utilizamos também uma pré cura.
Estas rápidas curas intermediárias são propiciadas basicamente com a junção de um circulador de ar e uma fonte de calor. Equipamentos como soprador térmico, flash cure e "pocotó" ou mesmo com o secador de cabelo da irmã... Mas na minha opinião particular a mais prática maneira de secar tinta base água sobre têxteis é com berço térmico.
A cura ao toque permite o manuseio do produto, a cura total se dá em cerca de 72 horas, podendo ser acelerada em estufa, acelerando a polimerização completa da camada de tinta.
A limpeza dos equipamentos pode ser feita com água. Para diluição da tinta, quando necessária, também pode ser usado água, preferencialmente destulada ou fervida para evitar contaminação da tinta com microorganismos. (para entender melhor) 

Plastisol:
A tinta base plastisol não seca ao ar, por esta peculiaridade, inclusive é comum o serígrafo sequer limpar a matriz para pausar a produção por umas horas no almoço... A pré cura intermediária entre camadas de plastisol se dá unicamente pela ação de uma boa fonte de calor... E a polimerização final é adquirida em estufa, portanto o substrato impresso tem que ser resistente à altas temperaturas.
A vantagem do uso do plastisol por não curar ao ar é o fato de não ocasionar entupimento da matriz, com possibilidade de então estampar pontos muito pequenos.
O plastisol não tem solvente, praticamente toda a tinta é de carga sólida não volátil, que proporciona grande rendimento da tinta em comparação as tinta voláteis que possuem na sua composição grande parte de solvente eliminado durante a cura... Mas a sua viscosidade pode ser rebaixada com o uso de amaciante específico.



Bicomponente:
Assim como as colas, vernizes e massas bicomponentes... As tintas desta categoria são "redundantemente" compostas de duas partes distintas, uma delas a tinta em sí, que pura não seca e o seu reagente catalizador. Após misturados e feito a apliacação tem a sua cura ocorrida após curto tempo.
Por esta particularicade só se prepara a quantidade aproximada que será utilizada pois a tinta bicomponente após ativada já inicia seu processo de solidificação, mesmo com o pote fechado ela endurecerá e será perdida.
As vantagens desta tinta são o rápido e eficaz endurecimento, quando se necessita deste fator, e a longa durabilidade da pintura.
Uma atenção especial deve ser tomada para que a tinta não seque na tela, inutilizando-a definitivamente.

UV:
Assim como o plastisol, a tecnologia chamada ultra violeta é considerada uma das grandes novidades evolutivas da serigrafia moderna.
 Esta tinta simplemente não seca, não evapora... Pois não contém solventes. Pode estampar um adesivo com ela e esperar uma semana, se passar o dedão a tinta sai... 
Ela só é curada se for passada em uma esteira Ultravioleta.
As vantagens são a permissão de uso de pontos minimizados, permitindo alta definição nos impressos policromáticos reticulados, também tem cores mais vivas.
Por sua não volatização tem aumento na produtividade, maior rendimento e menor insalubridade np ambiente de trabalho, não polui.
O substrato precisa ser resistente à passagem pela esteira.
Para limpeza de materiais e diluição se usa diluente UV.

Curta a FanPage Yarrru! no Facebook


 

Home | About Me | YouTube Channel | E-Zine Impregnantes | Facebook profile

Yarrru! Silk'n'roll © Design by Yarru | Publisher : Me