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Toque Zero?

Já é sabido que hoje em dia o alto relevo em substratos têxteis está contraditoriamente "meio em baixa". Grande parte dos estilistas em atividade, assim com as principais marcas em destaque, que detém maior participação no mercado e notoriamente são as "formadoras de opinião", tem claramente se posicionado a favor de uma linha de roupas com caimento mais leve.
Este caimento inicia na escolha de um tecido com matéria prima suave, seja ela natural (Decamilenares algodão e linho... Recentes fibras naturais de bambu...) ou sintética (Poliéster, viscolycra... E até com a sustentabilidade dos reciclados de pet...).
A justificativa comum da atual tendência leve muito se deve a prioridade em manter o conforto nas peças básicas, consonante e coerente ao tecido.
Então pra finalizar a estampa adicionada à roupa está caracterizada com o toque mais suave das tintas Clear, Toque Zero, Corrosão... Ou mesmo Mix com apenas uma batida, sem repique, com um aspecto intencionalmente falhado acreditem...
Isso tudo nos faz assim pensar em como diminuir o toque da estampa, pelo menos no resumido segmento serigráfico têxtil atual.

Qualquer serígrafo ou empresário do ramo da confecção pode notar que tem, assim como eu, uma mania incontrolável de prestar uma atenção bem especial nas estampas das roupas nas lojas, ou das pessoas que andam pelas ruas... Sou confesso portador deste “T.O.C.”, tanto é que minha esposa quando me flagra olhando pro busto de uma senhorita, já nem enciumada fica, minha justificativa foi sempre que estou prestando atenção nos ínfimos detalhes da estampa de sua roupa... Inclusive pro colega que aí lê o texto deixo a dica pra evitar algum aborrecimento com o cônjuge, alegue (sem sarcasmo) que achou a blusinha linda e estava pensando em comprar uma pra ela...

Bem, nestas observações reparamos que as estampas estão bem maiores, principalmente nas camisetas. Portanto se as carregarmos muito com tinta, criamos uma grossa camada, impermeabilizamos o tecido e retemos a transpiração, algo desagradável para o uso cotidiano. Este e outros motivos diretamente ligados ao conforto na vestimenta implicaram na preferência hoje do toque macio.
Na prática um grande vilão no pesado toque é a base branca excessiva, então comecemos minimizando sua cobertura ou até mesmo a subtraindo...

O depósito diminuído de tinta pode ser adquirido evitando o repique de tintas super cobertura (já vi por vezes camisetas de boas marcas com essa aparência falhada, o que pra nós serígrafos é uma contradição estética pode ornar com o conjunto da composição)
Outro recurso que dispomos é o uso de tintas “Toque zero” ou “Super Macia”, apropriadas para formarem uma boa cobertura sem endurecer muito o toque da estampa. Porém as tintas não fazem por si sós seus milagres, uma prensada posterior ou o uso de estufa acelera o efeito e o torna mais eficaz.
O uso de tecidos técnicos mais finos, entre 77 e 100 fios auxiliam no fato de criarem uma película mais sutil da camada de tinta...
Fundo com corrosão pode ser usado. Esta é uma tinta que antigamente incomodava por ter odor bastante desagradável, hoje seu manuseio é mais simples e sua variedade ampla... Plastisol, cura em estufa, ao ar... E o mais importante, sem cheiro. É um reagente que descolore o pigmento do tecido, subjetivamente comparo a uma mancha de água sanitária/cloro, só que da cor que você escolher... Portanto devem ser aplicadas sobre tecidos tingidos com corantes reativos.
A eliminação do fundo tem também papel considerável na nossa lista de opções. Policromia sem fundo em tecidos de tonalidades suaves, cru, nude... São tolerantemente aceitos por muitas marcas mesmo se perdem um pouco da fidelidade cromática original da composição...
Outro coringa é a popularização de softwares gráficos e plugins de separações índex e simuladas, que nos permite estampar em tecidos escuros sem o uso de fundo, É uma recente (nem tanto) técnica que não devemos ter receio em iniciar. Um pouco de pesquisa, estudo e treino sobre essas atualidades são essências para a evolução técnica e profissional. Baseado em minha opinião individual, afirmo que aprender a fazer uma estampa simulada é apenas tão desafiador quanto foi quando aprendemos a fazer uma estampa chapada.

Resumidamente, dando um toque sobre o Zero Toque:
-Escolha de tinta macia, de baixa viscosidade
-Matriz com tecido técnico mais refinado.
-Eliminando o fundo e o repique elimina-se bastante o toque.
-Uso de traços e ou pontos menores na composição do desenho.

Outros efeitos de toque macio:
Stoned, Falsa corrosão, Acid Print, Devorê, Migrante, Tye Dye, Sublimação...

Porém, meu caro amigo serígrafo têxtil, mesmo sabendo que no atual momento "relevante não é tanto mais o relevo", não jogue fora seus potes de plastisol 3D nem de puff, apenas separe-os para a lateral da prateleira sabendo que aqui, lá ou acolá, o que fez ontem ou fará amanhã uma estampa bonita é a diversidade de técnicas que estamos aptos à aplicar nela.
O versátil silkscreen internacional não se resume jamais em apenas ornamentar camisetas, o domínio de vários modos de imprimir serigraficamente assim como a escolha deles para cada uso em particular é o que quebra a nossa rotina diária de "reles" puxadores de rodo.

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5 comentários:

TOP MODA disse...

Gostaria de saber como fabricar a pasta sericryl clear, para tecido algodão, ouvi falar que se usa fixador, espessante , amaciante, e ligante, mas não tenho a porcentagem correta,seria bem oportuno se vc fizesse uma postagem sobre esse assunto, grato!

alvlap disse...

Parabéns pelo blog e pelos vídeos. Gostaria de saber se vc já usou foil por cima da tinta puff, e tbm se é verdade que usar o ferro de passar, o foil soltará facilmente. Desde já agradeço a atenção. Abs.

André

Yarru! disse...

Foil sobre puff eu nunca tentei, não sei se rola, se um dia for fazer o teste não esqueça de colocar apeça pra lavar pra ver se solta...

existe uma cola apropriada pra foil (quente e frio), tem como improvisar com ferro de passar deixando-o com temperatura mediana. Faça uns testes...

Sobre a dúvida de cima sobre fabricar tinta eu não tenho a mínima e nem me arrisco pra tanto... Deixe pros fabricantes!

Lucas Mendes disse...

Opa! Sou Lucas Mendes, moro no DETRITO FEDERAL,e trabalho com serigrafia há 5 anos.Antes de mais nada, quero parabenizar o blog, por ser até hoje o mais direto em quesito de informação sobre a área.Parabéns.
A respeito de toque zero,minha marca de camisetas possui muitas estampas de cor preta.Antigamente eu pintava usando a viscosidade que já possuía na tinta vindo de fabrica.Isso resultava em estampas que ficam com aspecto áspero,sem brilho.E então em uma serigrafia que eu trabalhei, o serigrafo master me ensinou uma manha que hoje eu sou adepto.O uso do Viscorete é legal.Mas em épocas de crise eu uso água.(Pra não comprometer a durabilidade dos conservantes da tinta eu separo 1 numero suficiente de tinta pro serviço separando da tinta principal(pote de estoque), evitando mal cheiro,bolor e também da tinta ficar com viscosidade beirando a agua)Deixo a tinta com uma viscosidade bem macia (levando em consideração o numero de detalhes da estampa) em estampas muito chapadas eu deixo a tinta bem macia.Em substrato preto,3 repiques a cada mão(uso geralmente de 3 a 4 mãos para a pigmentação da tinta ficar bem forte dependendo da cor(tinta colorida como mix de base)Secagem manual(secador térmico)E a estampa fica bem macia,nada áspera.E cuidado com a viscosidade da tinta,Se a tinta ficar muito mole quando você cobrir a tela com tinta o peso da tinta pode ultrapassar o nylon borrando a estampa,criando um desencaixe etc.Espero ter contribuído com o assunto a respeito do toque zero.Mais uma vez obrigado ao organizador do blog e sucesso!

Tiago disse...

gostei bastante da sua forma de conduzir o texto.. parabens ! voce é de são paulo? sou dono de uma fabrica de bolas de futebol.. e gostaria de conversar com alguem assim, com bastante experiencia na arte do silk .. obrigado

att
tiago

 

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