About

Serigrafando com o pé esquerdo!

Muitas vezes o serígrafo não obtém resultados satisfatórios em seus impressos por não dar atenção especial a todas as etapas do complexo processo serigráfico. Deixando de fazer corretamente algumas ou até mesmo todas as partes deste processo somamos deficiências que no final resultam num total material de segunda linha; e inocentemente acabamos desvalorizando e auto menosprezando com toda a profissão. Na satírica crônica a seguir tento com um pouco de um descontraído humor narrar a trajetória de um "serigrafeuta" que apesar de trabalhar a mais de uma década na área ainda não aprendeu quase nada sobre o ofício. E se por acaso você identificou-se com o nosso amigo em mais de 3 ou 4 trechos, disfarçadamente assobie e mude de assunto, afinal de contas quem nunca pecou que atire a primeira lata de tinta...

No "birô": 
Começamos pelo projeto do que será estampado... Colocamos pra desenvolver o desenho uma pessoa com pouco conhecimento mesmo sobre design... Que arduamente caiu de paraquedas na profissão, aprendeu a fuçar no Corel e tem um mal gosto invejável.
É selecionada uma imagem da net com baixa resolução, 72 dpi, não é necessário reamostrar, retocar, melhorar nem equalizar a imagem... O pixelado serrilhado é ignorado...
Colocamos um título com uma fonte bem bonita e enfeitada ou então misturamos várias fontes diferentes, uma pra cada linha das frases, isso valoriza o layout... Podemos também posicionar o texto de modo que cubra alguma imperfeição do desenho que ficamos com preguiça de arrumar. As cores escolhidas não precisam de harmonia não, é só não usar rosa pra homem nem azul pra mulher... Pra facilitar vamos usar o preto básico que combina com tudo.
Xí! Esquecemos de salvar o documento e o PC travou, reiniciamos a máquina e começamos tudo de novo com um pouco mais de pressa e menos de calma...

Depois que o documento está com o corpo fechado:
Finalizado o moderno e popular desenvolvimento digital é a hora da impressão... Fotolito? Estabilidade do filme? Positivo? Que nada véi! Isso é só nome bonito que a gente fala pra iludir o cliente e justificar o valor cobrado... A impressora jato de tinta dá conta do recado.. O trabalho é pouco detalhado mesmo, por mais que as retas fiquem um pouco tortas não dá pra perceber de longe depois de pronto... Também podemos tirar um xerocão pra ampliar o bagulho, passamos um óleo de soja ou uma margarina no sulfite e pronto... Pouco opaca, porém está pronta a enf 'arte final.

No laboratório do doutor Frankeinstein:
O quadro já está previamente preparado e é formado por quatro ripas de pinus bem pregadas, com "voal" esticado à unha, um pouco frouxo confesso, mas bem grampeado... Dá pra usar tachinhas também...
Emulsão na verdade é uma tolice que apenas enriqueçe os mercenários fabricantes exploradores, cola de papel pigmentada... Bicromatão e está bem resumido aí o segredo industrial... Aí é só passar no "nylon" com uma boa régua, que por sinal está serrilhada e com a ponta quebrada. O excesso a gente tira com o dedão e o limpa na borda do becker que na verdade é uma garrafa pet cortada.
Deixamos secando no banheiro/estufa... Na janelinha o papelão colado pra escurecer o local tem a dupla finalidade de também poder segurar no recinto um desagradável aroma que vinha do trono de cerâmica sem tampa.
Depois de seca a "matriz" (já ousamos chamar isso por esse belo título), Colocamos na mesa de revelação com uma pilha modesta de revistas Playboy usadas por cima... Entre o vidro e a tela está a gordurosa arte final... Com todos os seus lipídios, glicídios, protidios, cálcio, ferro, fósforo e vitamina A...
O tempo de exposição "vareia"... Antes tínhamos sob a improvisada mesa 5 lâmpadas de 150 watts, mas umas queimaram e trocamos, colocamos uma de 60 watts e outra de 100 watts, só que de 220 volts!!! Entendeu? Nem eu! A precisão bem certinha do tempo é estipulada da seguinte maneira! Ligo a bagaça e vou fumar um cigarro! Chegou na bituca, pode retirar da mesa que é batata! É só colocar a tela em baixo da blusa e correr pro tanque na sala dos fundos... Passa pelo impressor, tira um sarro do seu "cofrinho" que está aparecendo, tropeça num pote de tinta que o "auxiliar de ajudante" esqueceu devidamente posicionado no meio do caminho; e chegamos no setor avançado onde revelamos o desenho finalmente, a torneira da água que vem direto da rua...
A parte onde a "emulsão" desmanchou retocamos depois com um pincelzinho e a parte que não abriu furamos com uma agulhazinha, véu sai esfregando com cuspe... Depois de no sol exposta seca está a tela, pra catalizar a Cascola© (merchandising free) fluída sobre o voal, banhamos tudo numa solução de bicromato, água e vinagre... Ufa! Esta pronta nossa tela!

O momento mágico da estampagem:
No berço "escorrido" fazemos o registro com dois preguinhos na beirada do quadro, só temos que tomar cuidado pra não encostar o preguinho nas camisetas que vamos estampar pra não sujá-las de ferrugem...
Preparamos a tinta preta misturando um azul marinho antigo que jazia no fundo da prateleira com o bordô que sobrou do serviço anterior, pra acertar a tonalidade um vidrinho de pigmento preto para tinta látex de parede... E pensar que colorista estuda um monte e não conhece esses segredos que só se aprende na faculdade da vida! Muita água pra aumentar o rendimento, amaciante de roupas se quiser diminuir o take ou se ocasionalmente a tinta estiver muito fedida...
O rodo que usaremos preferencialmente tem que estar meio afiado... Para isso raspamos ele em uma parede  ou em uma calçada de cimento bruto.
Agora é só por a tinta na tela, aumentar o som e mandar ver!

Embalando e entregando o produto:
Selecionamos as camisetas melhor estampadas e colocamos por cima do monte, as piores (borradas, falhadas...) colocamos por baixo dobradas de modo que não apareça a estampa, no meio colocamos as que saíram tortas ou foram retocadas no pincel. Se alguma infelizmente ficou tão feia que que não dá pra salvar, damos um fim nela desovando-a no terreno baldio atrás da firma, se acaso o cliente quiser conferir o número de peças teimamos que ele contou errado. Se não der pra ganhar no blefe ou no grito propomos um desconto viável para as duas partes no valor final do serviço... Se ele não voltar ou ligar reclamando em uns dois dias podemos ficar finalmente tranquilos...



 Só para ilustrar o postagem...

6 comentários:

Agape disse...

Aff rachei demais, hehehehe!!

Anônimo disse...

ahahahahahahahhaahahha
de vez em quando faço alguama coisa dessas aí. prometo me policiar

ithiel disse...

Muito comédia!!!! Trinquei de rir

Everton disse...

Muito boa... infelizmente esses caras existem! Sem contar que esses infames "estampadores", se é que devemos assim chamá-los, conseguem levar muitos dos nossos clientes devido ao baixo preço que cobram!!

Officina Arpotex disse...

Fantástico, posso reproduzir o texto?

Gilmar disse...

Rpzzz eu quase me cagueii de rirrr...
serio...minha esposa veio perguntar o
q estava acontecendo..rsrs
Na parte do papelao na janelinha do banheiro quase dei um troço!kkkkkkkk
Confesso q em alguns pontos ainda preciso melhorar hehehe... mais se estou aqui no seu Blog e a procura disso!!
Ah gostaria de tirar uma duvida sobre policromia para malha preta, para nao precisar dar aquele quadradao de chapado branco!!Pois pinto camisas de metal e nao gosto daquele quadradao hehehe
quando tiver um tempo da uma olhada no meu trampo!!

http://dedserigrafia.blogspot.com/

Adorei seu trabalho!! Parabens!!Forte abraço!!

 

Home | About Me | YouTubeChannel-1| YouTubeChannel-2 | EZine-Impregnantes | MySpaceTheCO2 | Twitter | Orkut | Facebook

Yarrru! Silk'n'roll © Design by Yarru | Publisher : Me