*O jato de areia, é proibido no território nacional, sendo que na realidade o que é expelido pelo ar comprimido é "granalha de aço" ou outras alternativas, que embora menos agressivas são também bastante nocivas á saúde do aplicador! Hô ramo insalubre!
Com a então novidade da pasta em mãos e o contato importante com um companheiro que se aventurava no ramo artesanal em vidros, foi o suficiente para podermos fazer vários testes em tudo de vidro que se pode personalizar/marcar/decorar... Copos, canecas de chope, garrafas, vidros planos, espelhos, portas, box de banheiro, prateleiras de vidro, tampos de mesa, quadros, vidros de relógio, potes de conserva, troféus de eventos, brindes, lembrancinhas... Tenho mágoa de não ter fotografado tudo isso!
O produto em si é bastante versátil, sua utilização industrial mais comum é na gravação de segurança em vidros de automóveis, onde a numeração do chassi fixada permite o rastreamento de itens surrupiados.
A gravação é definitiva, teoricamente não tem como ser apagada (conseguimos remover alguns pequenos borrões acidentais com o uso de uma politriz + um "pó específico" para remoção de riscos + água corrente para controle de abrasão).
Na prática:
Serigraficamente se usa uma matriz bem tensionada, com boa camada de emulsão resistente à água, diâmetro de fio e abertura de malha (padrão T) que permita o máximo depósito da pasta reativa, sugiro poliéster monofilamento de 55 fios. Como não é uma tinta acrílica não se preocupe pois não entope a tela, só não deixe secar pra não perder o produto, afinal seu valor é meio salgado! O rodo de relativa dureza (70 shores) de tira em poliuretano bem afiada para garantir boa definição
Em chapados e desenhos de maior proporção com menos detalhes, um repique deixa o resultado bem mais apresentável, para isso o segredo é estampar, aguardar o produto agir por cerca de 4 minutos, lavar a peça em água corrente com a ajuda de uma esponja macia até retirar todo resíduo do ácido, secar a peça e repetir o processo da estampagem até a secagem. Use sua criatividade, recursos e principalmente técnica para manter a fidelidade no registro do repique. Ao contrário de outros substratos habituais, o vidro é rígido e fácil de reposicionar.
Mascaramento e aplicação manual é uma outra maneira fácil de personalizar pequenas e médias tiragens em vidros curvos, com uma máscara adesiva de viníl, recortada em plotter ou mesmo com estilete/bisturi se isola a parte da peça onde o ácido não deve agir. Após isso passamos o produto com um pincel, rolinho ou mesmo um palitinho, dependendo da área de ação. O único cuidado é com a devida pré limpeza do vidro para que a máscara não se desprenda nas bordas do recorte provocando infiltração do produto. Podemos lavar a peça e reaplicar a pasta para intensificar o efeito fosqueante. A aplicação de uma segunda demão em apenas algumas partes do desenho podem gerar um efeito diferenciado com intensidades diferentes de opacidade...
Outra maneira é o mascaramento mais a serigrafia, desta maneira mascaramos o desenho tal qual o exemplo anterior, deixando exposta apenas a parte onde receberá o produto, então serigrafamos o ácido com o uso de uma tela "aberta" (sem gravação, apenas com o poliéster), isso garante uma camada o mais uniforme possível, assim como praticidade e velocidade na aplicação em várias peças. Sem correr o risco de borrar e perder o vidro, que dependendo do tipo pode ser de valor bastante elevado.
Em todos os casos, anteriormente à aplicação, o vidro deve estar devidamente limpo, uma dedada gordurosa no manuseio já deixa uma evidente marca indesejada sob a imagem... Como se limpa vidro? Com detergente, com álcool, com vinagre, com água... Se passa um papel absorvente ou até mesmo um jornal para secar. Pano preferencialmente não, pois deixa fiapos de montão...
Composição do produto:
A fabricação da pasta serigrafável em vidros, que eu saiba, é produzida por uma única empresa (não cito o nome pois as empresas do ramo serigráfico generalizadamente, não respondem meus e-mails para utilização de espaço publicitário no Yarrru!). No rótulo não existe nenhuma referência sobre a composição do produto... Mas se trata de ácido fluorídrico (HF), além de emulsificante e alguns outros aditivos...
Riscos no uso deste químico:
Como se trata de uma ácido corrosivo e tóxico, mesmo que diluído, temos que tomar os devidos cuidados pra que não entre em contato com a pele e mucosas, nem que seus vapores sejam inalados. Por isso uso de EPI's são obrigatórios. Eu pessoalmente não aconselho o uso prolongado deste tipo de produto nocivo à nossa salubridade, pois estamos numa época onde devemos valorizar os produtos da linha ecochata, né?
Se trata das portas de um dos muitos hidrantes internos do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, RMC.
*Neste outro foi uma simples impressão serigráfica corriqueira, tela com emulsão aquosa, 55 fios, impressão sem repique... Vidro comum azul de 6mm.
*Os copos de cerva & cachaça do Bar do Portuga foram mascarados com vinil recortado eletronicamente, depois de alguns testes a aplicação foi feita com um palitinho de dente mesmo, duas demãos do produto permitiram boa opacidade no efeito.
Boas estampadas!
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